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A moradora apaixonada por Brasília

Ele se mudou para Brasília há dez anos, quando decidiu sair de Campinas para começar sua carreira profissional na capital federal. Ele e ela começaram a namorar há cinco anos, embora se conheçam há mais tempo do que se lembram. No começo, essa relação era à distância: ele em Brasília e ela em Campinas ou São Paulo, com direito a muitas pontes aéreas e saudades.

Até que em 2017 ela decidiu pôr fim à vida estressante de São Paulo, onde vivia fora do seu eixo ideal. Sua existência se resumia a trabalhar, estar longe da família, amigos e dele.  Mudar-se para Brasília não foi bem uma decisão, simplesmente aconteceu, de mala e cuia mesmo.

Ainda bem.

Se foi para viver ao lado do namorado ou porque ela ganhou uma bolsa parcial para uma pós, isso não é importante. Deu tudo certo.  E ela não pretende de jeito nenhum sair de lá, porque ela é agora a moradora apaixonada por Brasília

Como já dizia Renato Russo, quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?

Eu poderia estar contando a trajetória de uma boa parcela da população de Brasília. Afinal de contas, estamos falando de uma cidade que desde o princípio da sua existência conta com personagens de fora, que são carinhosamente chamados de candangos.  Não é à toa que na Praça dos Três Poderes esteja o monumento de Bruno Giorgi chamado Os Candangos, uma forma de homenagear todas as pessoas que participaram da formação da capital federal e contribuem para escrever as linhas dessa história. Por isso que, qualquer pessoa que vai morar em Brasília não é vista como um ser estranho, muito pelo contrário.

Aqui no caso, estou falando da Izabela, a Iza. Mulher, campineira, advogada, a moradora apaixonada por Brasília, que foi recebida de braços abertos pela cidade. Iza se sentiu muito acolhida quando se mudou, mas isso não aconteceu só porque seu namorado já morava lá ou porque estava acostumada com a dinâmica da cidade.

Não.

Para ela, por ser uma cidade nova, capital federal, com muitas oportunidades de emprego e inúmeras embaixadas, não são poucas as pessoas que elegem Brasília como sua morada. Há pessoas do Brasil e do mundo inteiro ali. A verdadeira definição de uma cidade heterogênea e cosmopolita.

Como disse, a mudança não foi programada, ela foi gradativa. Quando a Iza chegou, ela não tinha emprego, não tinha planos.  Estava matriculada numa pós-graduação e, dentre os inúmeros pontos turísticos da cidade, muitos estão relacionados de alguma forma com o Direito, como o Ministério da Justiça, o STJ, o STF, o TSE e outros tantos. Só isso já era suficiente para ocupar o seu tempo e conhecer pessoas. Mas, se não bastasse o alinhamento dos astros em tudo que já contei até aqui,  a Iza atua na área de Compliance Anticorrupção.

Imagine! Brasília nesse aspecto é Disneylândia do Direito!

Ela tem a oportunidade de participar de diversos eventos sobre esse tema, tem acompanhando a consolidação da lei de pertinho. Ou seja, ela sente que na capital federal ela se encontrou pessoalmente e profissionalmente.

Com menos de três meses morando em Brasília, ela fez um curso gratuito no Superior Tribunal da Justiça, algo comum. Sua intenção era estar perto de ministros, ver com seus próprios olhos o tribunal que passa na televisão e de repente, fazer um networking. No último dia, assistindo a palestra que mais lhe interessava, Iza respirou fundo e foi conversar com o palestrante. Mal sabia ela que ele tinha sido ministro. Extrovertida como sempre e boa de papo, ela se apresentou, contou que era recém chegada em Brasília e disse que estava em busca de uma oportunidade. Se foi obra do acaso, recompensa pela sua atitude ou um pouco dos dois, não sabemos. Mas fato é que dois dias depois ela estava empregada. Foi quando sua ficha caiu que ela tinha mudado completamente sua vida que agora seria em Brasília.

Se você não conhece a cidade, vou te contextualizar.

A capital federal do Brasil é uma cidade planejada, cujo plano urbanístico é chamado de Plano Piloto. Inaugurada em 1960 no governo do presidente Juscelino Kubitschek, ela é uma referência mundial em cidades planejadas. E sim, o Plano Piloto tem o desenho de um avião, porque são vários trechos viários, setores, superquadras e quadras mantidas até hoje.

Plano Piloto
Crédito: Sergey Ryazanskiy/Twitter/Reprodução

Seria belo e perfeito se Brasília não tivesse crescido muito. Para tentar colocar um pouco de ordem na casa, o Distrito Federal é composto pelo Plano Piloto e 16 regiões administrativas conhecidas por cidades satélites. A foto bonita do avião é apenas o Plano Piloto que contempla a Asa Sul, Asa Norte, Lago Sul, Lago Norte, Sudoeste, Octogonal, Cruzeiro Velho e Cruzeiro Novo. Nessa área moram aproximadamente 310 mil pessoas, já no Distrito Federal são quase 2,5 milhões de pessoas. Só para não haver confusão: Brasília e o Plano Piloto são a mesma coisa. Ou seja, morar em Brasília é basicamente morar numa bolha, na Suíça brasileira.

Mas, por que estou falando isso?

Na época que Brasília foi planejada por Lúcio Costa, há que lembrar que o país passava por um momento de grande abertura de mercado, especialmente para indústria automobilística. Embora, tenha sido projetada para que tudo fosse realizado à pé, uma vez que, cada quadra nas Asas tem o seu comércio, o Plano Piloto se transformou com o domínio dos automóveis nas ruas.  Resultado? A capital federal está localizada num planalto e sua configuração está totalmente voltada para a cultura do carro. Tem carro? Bom. Não tem carro? Sua vida pode ser muito difícil.

E adivinha o que aconteceu com a Iza? Lembra que a mudança não foi planejada, ela levou meia dúzia de roupas e partiu? Seu primeiro ano foi puro perrengue no quesito locomoção. Acostumada a morar em São Paulo perto do seu trabalho, metrô ou com uber baratinho, Brasília foi um choque.

As distâncias são enormes!

Andar 10, 20, 30 km para chegar num lugar é normal, principalmente porque a cidade é setorizada. Quer comprar uma lâmpada? Tem a quadras das lojas de iluminação. Precisa de serviço de gráfica? Opa! Setor gráfico está à disposição.

O transporte público também não é muito prático, sempre vai envolver uma caminhada, afinal de contas, as rotas seguem toda uma sistemática que para ela exigia duas horas na ida e duas horas na volta mais o deslocamento a pé. Metrô nem pensar. Esse ainda deixa muito a desejar. A solução foi dividir o carro com o namorado e usar uber. Nos finais de semana a barra pesava menos, ou quase nada.

Assim é Brasília, a cidade planejada que tem poucas calçadas para se transitar a pé e carro é item obrigatório para morador ou visitante. Uma pena porque seu plano urbanístico tinha uma proposta bem diferente e essa dificuldade de locomoção existe como conseqüência das decisões de gestores públicos. São traços da desigualdade pulsante da capital federal.

Com carro ou sem carro, aprenda uma coisa: é o céu mais bonito do mundo. Quando a Iza ouviu isso pela primeira vez, não levou a sério. Até que parou e contemplou essa maravilha. Não há muitas formas de explicar o motivo, mas entre elas temos: a cidade ser totalmente plana, com limite de altura nos edifícios e sua geolocalização. Tudo caso pensado do Lúcio Costa. Percebe como arquitetura, urbanismo, design são indissociáveis quando o assunto é Brasília? Essa é uma das suas singularidades.

Eita cidade criativa de novo!

Iza conta que na época do saudoso horário de verão, ao voltar do trabalho ela parava várias vezes na beira do Lago Paranoá, tirava sua cadeirinha de praia e ficava ali, contemplando o pôr-do-sol na companhia de um bom livro. Se isso não é vida, o que é então? Essa é uma das coisas que ela gosta de fazer no seu tempo livre. Dá para entender como Brasília é uma cidade que liberta, que lá o tempo parece que ganha mais segundos e é mais flexível. A cidade te ensina a viver de forma mais leve. Imagine! Numa sociedade tão opressora para mulheres, poder parar sozinha, num final de tarde e ficar à toa num lugar público? Para Iza Brasília é isso: calma, bonita, organizada e segura.

Pôr do sol em Brasília

A capital federal é generosa e por lá há muitas coisas para serem feitas, seja você um morador ou um turista.

O programa favorito da Iza não é muito comum, embora certamente seja delicioso: café da manhã. Ela adora descobrir e ir às inúmeras padarias da cidade que oferecem experiências inesquecíveis. Vamos combinar que um bom café da manhã tem o seu lugar na vida. Entretanto, Iza destaca que os cafés não são as únicas delícias da cidade. De maneira geral, come-se muito em Brasília. Há restaurantes de ótima qualidade e com uma diversidade muito grande. Como nem tudo é perfeito, atente-se aos preços que costumam ser bem salgados.

Mas, não se preocupe!

Aí vem mais uma dica legal: Chefs nos Eixos. Um evento de comida de chefs, na rua. É a oportunidade que milhares de pessoas têm de experimentar pratos criados por grandes nomes da gastronomia, a preços acessíveis, numa festa a céu aberto, no coração do Plano Piloto.

Cá entre nós, se tiver a oportunidade de ir a este evento, vá! Além da variedade de pratos, é importante lembrar que Brasília é considerada a terceira cidade mais cara para se viver no Brasil, ficando atrás apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Então já viu, Chefs nos Eixos é aquele momento para conhecer os chefs da cidade com precinhos mais camaradas.

Além de pôr-do-sol e boa gastronomia, Brasília tem programas para todos os gostos: festas e festivais ao ar livre ou super exclusivos com ingressos a partir de R$ 1.000,00, sambas com precinhos camaradas no meio do setor bancário, festivais de cinema, inúmeras atividades culturais acessíveis e gratuitas em museus, embaixadas, centros culturais e outros. E não se esqueça: pelo menos uma vez, pare e observe quão bonita fica a Esplanada dos Ministérios iluminada a noite.

Uma boa recordação da nova moradora de Brasília foi o Festival de Blues e Jazz que acontece há cinco anos no Parque da Cidade, um evento totalmente gratuito e ao ar livre. E adivinha como a Iza foi conferir o evento? Com a sua fiel cadeirinha de praia, parceira que lhe proporciona bons momentos.

Ainda sobre as atividades culturais…

Ela revela que passou a frequentar mais museus e exposições depois que se mudou para capital. E olha que estamos falando de alguém que morou em São Paulo. Entretanto, ela explica o motivo para isso acontecer. Enquanto morava na capital paulistana, a cidade impunha seu ritmo corrido e sua logística de pensar em como se deslocar, pagar estacionamento e entradas, o que acabava tornando a saída exaustiva antes mesmo de sair de casa. Por isso, desistia. A comparação com Brasília acaba sendo inevitável porque a dinâmica é basicamente oposta. Lá as exposições e estacionamentos são gratuitos e os locais são mais vazios, o que permite aproveitar mais.

E aqui entre nós, a verdade mesmo é que para ela a cidade de Brasília já é um museu a céu aberto. Não só em razão de sua arquitetura, mas pela singularidade de cada quadra e o aconchego que cada espaço oferece. Já deu para entender que perde quem pensa em ir à Brasília só a trabalho.

Aí você deve estar se perguntando: “Brasília fica no meio do nada. O que mais dá para fazer por lá?”

 Não se preocupe, porque oportunidades não faltam. A duas horas da capital fica Pirenópolis, uma cidade histórica, tombada pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que possui várias cachoeiras, além de belos casarões e igrejas do século XVIII. Não dá para ir uma vez só, porque antes mesmo de partir ela já deixa saudades. O mesmo acontece com a Chapada do Veadeiros, Patrimônio Mundial Natural pela Unesco, que está a 3h30 de Brasília, e Goiás Velho, uma cidade histórica que está há 5 horas de carro.

Portanto, deixa de bobagem e programe uma viagem à nossa capital federal com tempo, porque atrações não faltam. A Iza que mora lá há três anos ainda nem conseguiu visitar o Catetinho. Então imagina que desperdício dar só uma passadinha?

Brasília merece mais a sua atenção.

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