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Os novos rumos para o turismo: turismo consciente e sustentabilidade.

A pandemia do coronavírus atingiu em cheio o setor do turismo. Mas, não só porque as viagens foram interrompidas no mundo todo. O que estamos vivendo neste momento é o processo de ruptura do turismo tradicional. Assuntos que eram tratados como periféricos, agora são considerados fundamentais para a retomada do mercado de turismo. Nunca se teve tanto espaço para debater sobre a importância da valorização da experiência do viajante, do turismo consciente e da sustentabilidade. Trata-se de uma baita oportunidade para pensar os novos rumos para o turismo.

Diariamente vejo matérias, artigos, reportagens sobre estes assuntos… Mas toda vez eu me pergunto: Será que todo mundo está acompanhando isso? O que será feito de útil com essas reflexões? Viajantes e profissionais vão realmente aproveitar esta ruptura para mudar? Para onde o turismo vai?

Esta semana eu escrevi nas minhas redes sociais sobre pontos turísticos que ficaram visíveis durante a pandemia. Isso mesmo! Em razão do isolamento social imposto em praticamente metade do mundo, a emissão de CO2 diminuiu 17% no mundo. Logo, o ar ficou mais limpo e lugares como o Himalaia ficaram visíveis depois de 30 anos! Em maio, eu comentei também uma pesquisa realizada pelo Overseas Leisure Group com 600 viajantes e um dos resultados obtidos me chamou atenção: 78,9% das pessoas indicaram que viajar está sendo apenas uma pausa. Somente 21,1% respondeu que viajar mudou para sempre.

Mas ora, a pandemia do coronavírus só antecipa a urgência de mudança. É necessário mudar o nosso comportamento enquanto turistas e profissionais.  Do contrário, perderemos a possibilidade de conhecer alguns destinos que sumirão por consequencias das mudanças climáticas ou aqueles que podem fechar por excesso de carga ou descaracterização. Por isso que, viajar deve ser um ato com propósito consciente e não meramente por status!

Por que é preciso mudar?

O setor de turismo registrou crescimento contínuo na última década. É inegável a sua importância na criação de benefícios significativos para o desenvolvimento socioeconômico no mundo. Segundo dados da WTTC (World Travel & Tourism Council), em 2019 o setor foi responsável por 10,3% do PIB global e 330 milhões de postos de trabalhos, ou seja 1 em cada 10 empregos ao redor do mundo. No entanto, é preciso pensar em novos rumos para o turismo, porque o setor está em risco. Afinal, isso não é de hoje e a pandemia do coronavírus não é a única responsável.

Nós também somos.

Com efeito, o crescimento escancarou desafios importantes em relação à capacidade de carga dos destinos, consumo de recursos naturais e impactos das mudanças climáticas. Nunca parou para pensar sobre isso? Vou te ajudar.

Você já ouviu falar em overturismo ou turismofobia? São dois conceitos que começaram a ficar mais populares nos últimos três anos, justamente em razão do crescimento acelerado do mercado do turismo facilitado pela ampliação de empresas aéreas de baixo custo e serviços compartilhados como o Airbnb. Você já ouviu falar de moradores que fizeram manifestações contra turistas porque tudo ficou mais caro na cidade deles? Isto é overturismo. Você já se sentiu mal recebido em destino, praticamente como se não fosse bem-vindo? Isto é turismofobia.

O overturismo é aquela situação em que o número de visitantes sobrecarrega os serviços e se torna um inconveniente para os moradores da cidade.  É a desvantagem do turismo em massa, porque não se limita a aglomeração. Vai além. Impacta na qualidade da experiência da viagem. Já a turismofobia é a rejeição ao turista por parte dos moradores locais.

Imagine o seguinte cenário:

Há anos você frequenta o mesmo mercado central da sua cidade. Mas, nos últimos tempos essa atividade simples da sua rotina se tornou um tormento, porque o mercado está cada vez mais cheio. Mas, esse mercado não está cheio de cliente, está cheio de turistas que não vão comprar nada, querem apenas tirar fotos do local. Os comerciantes decidem então  tomar providências a respeito, porque eles não vivem de cliques de fotos e o mercado fecha temporariamente porque a situação ficou insustentável. Esse não é um cenário hipotético. É um fato e aconteceu em Amsterdã no mercado de flores Bloemenmarkt.

Bloemenmarkt, Amsterdã

Eu já estive em Roma duas vezes. Na primeira viagem, quando fui visitar a Praça de Espanha era possível se sentar na sua famosa escadaria, tomar um gelato e apreciar a vista junto com outros turistas e romanos. Na segunda vez, isso era proibido, passível de multa de mais de 300 euros. Motivo? Depredação do espaço público.

Piazza di Spagna, Roma

Percebe que enquanto viajante o nosso comportamento implica na qualidade de vida dos habitantes da cidade que visitamos? Afinal de contas, quando viajamos estamos na casa de alguém. Precisamos respeitar as pessoas, culturas, hábitos e espaços. A prática do turismo consciente é necessária. Há muitos anos eu li uma frase que se tornou praticamente um mantra para mim: “A cidade só é boa para o turista, se for boa para o seu morador.”

Mudar é preciso, mesmo.

A revista americana Insider publicou no começo deste ano o ranking dos 20 lugares que estão sendo arruinados pelo turismo, entre eles estão cidades como Barcelona/Espanha, Santorini/Grécia, Cozumel/México, Veneza/Itália, Dubrovinik/Croácia, Praga/República Checa e Havana/Cuba. Por que estão sendo arruinados? Excesso de gente! Veja só: Veneza é uma cidade de 50 mil habitantes que recebe o equivalente a 74 mil turistas por dia. O mesmo acontece na pequena Hallstatt, na Áustria, são 800 moradores para 1 milhão de turistas por ano. Isso não pode ser normal! Entende por que precisamos de novos rumos para o turismo?


“Esta é uma cidade que resiste e que quer resistir, precisa de um cotidiano normal – estamos aqui e queremos continuar a viver aqui”. Marco Caberlotto, morador de Veneza

Veneza, Itália

Você sabia que Dubrovinik e Veneza correm o risco de perder o status de Patrimônio Mundial da UNESCO por causa do overturismo e seus impactos? Se quiser ler mais sobre isso, clique aqui.

Mas a culpa é só do turista?

Não!

Nessa discussão sobre o overturismo e turismofobia é muito comum culpar os cruzeiros que em suas paradas de curta duração desembarcam de uma só vez 2 – 3 mil pessoas na cidade. Mas, vamos lá: cruzeiros são uma realidade e a solução do problema não é necessariamente suspender esta atividade. Tudo depende das singularidades do destino. O mais importante é promover o planejamento sustentável e inteligente, tornando parceiros as empresas de cruzeiros e os órgãos locais de turismo.

Aqui no Brasil temos dois exemplos positivos de planejamento turístico bem feito: Fernando de Noronha e Jericoacoara. Ambos destinos são altamente requisitados por turistas. No entanto, fazem controle diário da capacidade de carga e a população é engajada e participa do processo de decisão. Além disso, cobram taxas locais que são 100% revertidas para a manutenção de espaços públicos e do setor de turismo. Já Londres e Amsterdã, depois que perceberam o tamanho da encrenca do overturismo, criaram aplicativos para tentar mitigar o problema. Dentre as medidas, há um recurso que indica quais pontos turísticos estão mais vazios e apropriados para visitação.

Controle migratório em Fernando de Noronha, Pernambuco.
Percebem a diferença entre um planejamento proativo e o reativo?           

Esse espaço de tempo faz toda diferença no desenvolvimento do turismo. Neste sentido, o Secretário Geral da OMT foi muito claro sobre a necessidade de novos rumos para o turismo:


“A sustentabilidade não pode mais ser considerada como um nicho do turismo, mas uma nova norma para cada parte do setor do turismo. Este é um dos elementos centrais da Diretrizes Globais para Retomada do Turismo. Está nas nossas mãos emergir da pandemia do Covid-19 e transformar o turismo tendo sustentabilidade como um ponto crucial.” Zurab Pololikashvili

Temos que encarar esta pauta como um tópico transversal no planejamento e nas políticas de turismo. É como escreveu Gabriel Garcia Márquez: “Então contou-lhe. “Mas foi como se já soubesse”, disse-me. “Foi a mesma cena de sempre, uma pessoa começa a contar-lhe uma coisa e antes de chegar a metade da história já ela sabe como termina.”.

Não há mais espaço para dizer que o turismo consciente e a sustentabilidade não são importantes para o setor de turismo. Agir assim é mais uma crônica de uma morte anunciada.

Assuma a sua responsabilidade.

Lucas Bobes é o responsável de sustentabilidade global da empresa Amadeus, uma das maiores empresas de inovação tecnológica do turismo. Em entrevista recente deu o tom da mudança no mercado: “Estamos em um processo de incorporação de um quarto fator nas operações de turismo. Além dos tradicionais parâmetros de decisões baseados em horários, disponibilidade e tarifas, temos que incorporar a sustentabilidade.”.


Talvez você ainda não considere conscientemente a sustentabilidade como um fator na sua decisão de planejar uma viagem, mas tudo indica que isto é  uma questão de tempo, seja por necessidade ou porque será levado a fazê-lo. Enquanto consultores de viagens, a valorização da experiência dos clientes já deveria ter sido incorporada no nosso dia a dia. Mas se você ainda não faz isso, é chegada a hora. Com certeza!

Os impactos que a pandemia do coronavírus vão causar no mercado de turismo serão significativos e abruptos, sem dúvidas. Temos que assumir a nossa responsabilidade e ser uma força para os novos rumos para o turismo. E, como isso pode ser feito? Fazendo planejamento de viagem adequado.

Não dá mais para vender só passagem aérea e hotel.

A forma como vendemos o destino precisa ser levada mais a sério. É preciso pensar a viagem: estudar aspectos culturais, históricos, singularidades do destino, sugerir fornecedores que valorizem a experiência do cliente, que respeitem o meio ambiente e que trabalhem em prol do destino e não contra.

As atitudes de um turista consciente repercutem muito! Os habitantes dos destinos ficam gratos em receber esse turista, passa-se a investir mais no setor e, consequentemente, a qualidade da experiência melhora! É um ciclo contínuo. Por isso, também é fundamental pensar o roteiro da viagem, fugir de horários mais cheios, sair do lugar comum, indicar atrações nos arredores e outras tantas possibilidades. Ou seja, sempre equilibrando as necessidades do viajante, dos habitantes locais e do planeta.


		
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Olá! Meu nome é Alice Assad Wassall, eu sou consultora de sustentabilidade no turismo. Estou aqui para ajudar você a identificar o propósito da sua empresa e a adaptá-la a todas as tendências da sustentabilidade. 

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Un blog sobre la sostenibilidad en el turismo

Se você quer ler em português, clique aquiIf you want to read in english, clique hereLa sostenibilidad y los negocios de impacto positivo son temas que, de alguna manera, siempre han estado presentes en mi vida. Esta es una de las razones por las que hoy en día la sostenibilidad

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