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Pacto Verde – O que é e como impacta no turismo

Não é novidade que a Terra está passando por um processo de aquecimento cujas causas estão diretamente relacionadas à ação humana. Os fenômenos resultantes desse aquecimento estão cada mais vez frequentes e mais intensos. 2019 foi o segundo ano mais quente desde que as temperaturas globais passaram a ser registradas, há 140 anos; a Amazônia ardeu em fogo; a Austrália perdeu mais de um bilhão de animais em incêndios que duraram mais de 160 dias; chuvas torrenciais atingiram os Estados Unidos, Canadá, Rússia e o Sudeste Asiático; e ondas de calor extremo sufocaram o verão na França, Portugal, Espanha, Itália e Holanda. Por isso, a importância de se refletir e discutir sobre o assunto. Mas afinal, o que é o Pacto Verde e como impacta no turismo?

E o que todos estes lugares citados têm em comum? Todos são destinos turísticos.

Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), em 2018 esses países receberam 583,8 milhões de turistas estrangeiros, gerando USD 724,7 bilhões em receitas. Considerando os números globais, esses dados representam 41% do número de turistas que viajaram em 2018 e 49,5% da receita total gerada com turismo internacional. Como essa atividade está se preparando para lidar com os efeitos das mudanças climáticas?

O que é o Pacto Verde e como impacta no turismo

Em novembro de 2019 a União Europeia divulgou o The European Green deal ou o Pacto Verde. Trata-se de um marco importante na história da União Europeia na busca por soluções para o desafio das mudanças climáticas, sendo parte integrante da estratégia para implementar a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) e cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O documento estabelece uma série de diretrizes para fazer com que a Europa seja o primeiro continente com impacto neutro no clima até 2050. O Pacto define estabelece um roteiro para utilização eficiente dos recursos naturais, restaurar a biodiversidade e reduzir a poluição.

Já em janeiro desse ano, a OMT convidou representantes do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia de Turismo e todos os ministros de turismo da Europa para participarem de um colóquio dentro da Feira Internacional de Turismo de Madri (FITUR), para discutir o papel do setor de turismo para alcançar os ODS da Agenda 2030 e se adequar ao Pacto Verde.

Encerramento FITUR Madrid 2020
Encerramento da FITUR Madri 2020. Crédito: FITUR MADRI

“O setor de turismo tem a obrigação de utilizar seu extraordinário potencial para liderar a resposta à emergência climática e zelar por um crescimento responsável. A OMT tem se empenhado para acelerar o progresso do turismo de baixa emissão de GEE”.

Zurab Pololikashvil, Secretário Geral da OMT

Para Marta Poggi, palestrante, consultora e fundadora do blog Agente no Turismo, é fundamental que todos os atores do setor de turismo entendam como o Pacto Verde pode contribuir para o seu desenvolvimento.

O lado B

Quando os turistas decidem viajar para o paraíso das Ilhas Maldivas, por exemplo, dificilmente tomam conhecimento ou levam em consideração o impacto ambiental que causarão. A apenas oito quilômetros km da capital Malé surge um gigantesco lixão flutuante a céu aberto. Trata-se de Thilhafushi, a maior ilha de lixo do Oceano Índico, onde há de garrafas de champagne a baterias de celular.

Em 1992, quando Thilhafushi foi construída, seu objetivo era servir como depósito de lixo dos 100 mil habitantes de Malé. Hoje, recebe mais de 400 toneladas de lixo por dia, de todas as ilhas do país, mas principalmente dos resorts que recebem milhares de turistas anualmente. Segundo a reportagem do site GQ (2017), um turista produz em média 3,5 kg de lixo por dia, o dobro do de um habitante de Malé e cinco vezes mais que um maldiviano.

Funcionários trabalham em meio ao lixo.
Funcionários trabalham em meio ao lixo. Crédito: Giulio Paletta

De acordo com a Organização Internacional de Viação Civil (ICAO), a indústria da aviação é uma das principais fontes de emissão de gases do efeito estufa (GEE) e a mais intensiva no setor de transportes. Seus impactos de CO2 e não-CO2 respondem por cerca de 5% do aquecimento global. Estima-se que, se nada for feito, até 2050 esse número pode aumentar 300%.

Vamos refletir

Quando se trata da atividade turística, o desafio climático não está relacionado apenas às emissões de gases, manejo de lixo. Eu já escrevi sobre isso no post “Os novos rumos para o Turismo: Turismo consciente e sustentabilidade”.

De maneira que é fundamental aprofundar a discussão sobre a sustentabilidade social, econômica e cultural deste importante segmento. Uma das principais questões nesse sentido é o turismo massificado. Barcelona, Veneza, Amsterdã, Tailândia, Fernando de Noronha, Punta Cana são alguns dos destinos turísticos que sofrem com os impactos da massificação que causa excessos na capacidade de carga local, perda de identidade dos habitantes, degradação ambiental etc.

A situação de Amsterdã

A capital holandesa recebe mais turistas do que a população total do país, são em média 20 milhões de visitantes por ano, quase 24 turistas para cada 1 habitante de Amsterdã. Este crescimento de quase 60% nos últimos 10 anos acendeu um alerta para as autoridades locais. Isso porque, moradores reclamam que não conhecem mais os seus vizinhos, já que aluguel de imóveis para curta ou média duração tornou-se algo comum.

Não à toa, a prefeitura de Amsterdã se viu obrigada a fazer um acordo com o Airbnb, determinando que o proprietário só pode alugar seu imóvel por 30 noites por ano, se exceder este limite o anúncio é retirado do site. Esta medida visa desestimular a ocupação dos imóveis por turistas e minimizar o aumento de aluguéis para moradia. Também foi criado uma ferramenta para vizinhos reportarem problemas e foi implementada uma taxa turística de 10% do valor da locação que deve ser paga pelo turista no ato da reserva.

Outra reclamação comum dos residentes é o excesso de turistas no centro da cidade. Para amenizar esse problema, o governo local instituiu medidas como: monitoramento de aglomerações, proibição de abertura de novos estabelecimentos como lojas de souvenirs e fast food no centro da cidade, aumento da taxa de turismo por noite e campanha de incentivo para que os turistas conheçam os outros pontos da cidade que não sejam somente o Red Light District (que concentra as famosas vitrines com as profissionais do sexo) e o centro.

A situação de Barcelona

Em Barcelona a situação não é muito diferente. Com uma população de 5.5 milhões de pessoas, a capital da Catalunha recebe em média 12 milhões de turistas por ano. Janet Sansz, vice-prefeita e secretária de urbanismo, explica que em alguns bairros, o comércio local foi trocado por lojas de souvenirs. Por isso, o governo local lançou um plano para favorecer negócios voltados aos habitantes locais como uma tentativa de conter sua saída. Moradores da região próxima ao templo católico Sagrada Família reclamam diariamente do fluxo de excursões e guias com autofalantes que descaracterizam todo o bairro. Nos últimos anos, houve uma redução de 11% na população residente no centro de Barcelona, sendo o principal motivo o aumento dos aluguéis em função da chegada do Airbnb.

Amsterdã e Barcelona não sofrem isoladamente com o turismo massificado, este aumento desenfreado de turistas tem sido observado em várias cidades e provocado o fenômeno de turismofobia, caracterizada pela rejeição dos locais à invasão de turistas. Como ignorar o fato que em tempos de quarentena em razão da pandemia de Covid-19, as águas dos canais de Veneza voltaram a ficar cristalinas? Há que se considerar que turista tem memória curta e não vai se furtar de aglomerações se não houver uma política de contingenciamento por parte do destino e daqueles que fazem a exploração comercial. Por isso, não é inteligente colocar unicamente na conta do turista os problemas do turismo massificado.

As cidades são organismos em constante transformação, porque nelas habitam pessoas e é fundamental entender como o comportamento humano influencia esse ambiente urbano, o que faz uma cidade ser melhor do que outra para se viver ou visitar, partindo da premissa que uma cidade só é boa para o turista se for boa para o seu habitante.

Turista sustentável e responsável

Mesmo diante de inúmeros desafios,é possível encontrar exemplos de iniciativas na direção de um turismo mais sustentável. Em 2004, a Jamaica abriu o Wigton Wind Farms, o maior parque eólico em um destino caribenho de língua inglesa. Visando promover uma economia climática inteligente, em 2018, criou o Acelerador Climático Inteligente do Caribe, para implantar soluções de resiliência, energia renovável, desenvolvimento das cidades, preservação dos oceanos e soluções de transportes sustentáveis; e, em 2019, lançou o Centro Global de Resiliência Turística e Gestão de Crise.

Em 2018, a OMT lançou a Plataforma de Turismo para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Trata-se de uma ferramenta online de cocriação, que reúne iniciativas, projetos e conteúdo do setor de turismo realizados ao redor do mundo alinhados com os 17 ODS.

Assumindo compromissos

No ano passado, a HI Fly, companhia aérea portuguesa, foi a primeira a operar um vôo totalmente livre de plásticos. A Etihad, Emirates, Alaska Airlines Thai Airways, Fiji Airwyas, e Ryanair se comprometeram a agir da mesma forma no curto prazo. A Easyjet, empresa lowcost europeia, realizou no final de 2019 o primeiro voo operado com neutralidade carbônica. Já British Airways, Iberia, Air France e Qantas recentemente anunciaram o compromisso de reduzir em 50% a emissão de GEE nos voos domésticos até 2050. A TAP lançou um plano de compensação de GEE no Pará, Mato Grosso, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A United criou o programa Eco-Skies Carbon Choice que permite que o cliente reduza sua pegada de carbono contribuindo com programas da Conservation Internacional.

Voo plastic free da HI Fly. Crédito: HI Fly
Voo plastic free da HI Fly. Crédito: HI Fly

Além disso, vale destacar projetos como o Book Different um site de avaliação de hotéis por meio do qual o turista pode avaliar iniciativas sustentáveis de hospedagem. A rede Iberostar, por exemplo, criou o programa Wave of Change, cujo objetivo é reduzir o uso de plásticos, promover o consumo consciente de frutos do mar e preservar a vida marinha. E, por último, há o EarthCheck, certificação líder mundial no setor de turismo que auxilia destinos e empresas a serem limpos, seguros, prósperos e saudáveis para seus moradores e turistas.

Em resumo…

Responsabilizar isoladamente o setor de turismo pelos problemas nos destinos turísticos é um erro. Embora seja é um equívoco ignorar sua parcela de culpa. Esta é uma indústria que representa 10% do PIB Mundial. Trata-se, portanto de um segmento que bem ou mal pode exercer um papel determinante no desafio climático do século XXI. Além disso, há que se levar em conta também a decisão individual do turista. Na opinião de Poggi, esses consumidores estão mais conscientes e buscam organizações que realmente promovem o turismo sustentável. “O viajante é e será um agente fundamental nesse processo de mudança”, finaliza.

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